O pai que sou, o filho que terei

O pai que sou, o filho que terei

Poderá a ansiedade do meu filho estar relacionada com o meu estilo parental? Completamente!

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É realmente impressionante o impacto que a família nuclear tem no desenvolvimento saudável de cada criança. Todas as suas experiências vão ajudá-la a formar uma visão e uma opinião acerca de si, dos outros e do mundo. Vão criar uma narrativa que influenciará todo o seu comportamento.

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Quando falo em estilos parentais refiro-me ao tipo de atenção recebida, à comunicação, segurança, respeito e às interações entre pais e filhos. Estes fatores são decisivos e promovem a construção individual e social desde a infância até à idade adulta.

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Quando as necessidades básicas não são atendidas na infância e existe uma vinculação insegura (e.g., “só gosto de ti quando te portas bem”), baixa autonomia (e.g., inscrever a criança numa atividade extracurricular sem questionar o seu interesse pela mesma) e uma baixa sensação de competência (e.g., “tanto tempo para atar os cordões, deixa estar eu faço isso”), as crianças desenvolvem uma ideia errada acerca de si mesmas.

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“Para quê tentar? Já sei que não consigo…”

“Se correr mal, os meus pais ainda se zangam comigo”

“Não mereço ser ajudado, sou uma desilusão”

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Estes pensamentos vão ganhando tamanho e força. Tornam-se parte da sua identidade. Aqui começam a formar-se os primeiros esquemas desadaptativos que originam sentimentos de abandono, pessimismo e vulnerabilidade. A construção do EU torna-se instável o que pode desencadear inúmeras perturbações mentais. A ansiedade de desempenho é uma delas e define-se pela preocupação excessiva em dar conta de tudo e de ser bem sucedido numa tarefa.

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Quando um indivíduo se sente exposto a eventos que impliquem desempenho, inicia-se uma resposta imediata de medo, vergonha e evitamento acompanhada de sensações físicas como tensão muscular, palpitações, tremores, sudorese, rubor facial ou desconforto intestinal.

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Em consulta, surge algumas vezes o tema da ansiedade descontrolada que faz as crianças e os adolescentes bloquearem nos testes ou em apresentações orais. Estamos a falar de situações de avaliação em que o nível de desempenho conta… e muito.

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“E se não acabar o teste a tempo? Que nota vou tirar?”

“O que tinha para dizer agora? Ai que desorganizada que sou, bem dizia o meu pai…”

“Estão todos a olhar para mim à espera de me ver errar para gozar”

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Apesar de ser evolutiva e ajudar a preparar para eventos futuros, em níveis elevados a ansiedade traz vários prejuízos. Quando a ansiedade é evolutiva, a criança fica ansiosa porque quer obter um bom resultado nas avaliações e isso leva-a a organizar o seu estudo e a preparar-se, mantendo sempre os níveis de ansiedade controlados. Porém, quando se apresenta com maior intensidade, a criança ou o adolescente acredita genuinamente que não saberá agir de modo apropriado à frente de um público ou que não conseguirá resolver os desafios que lhe são propostos. Isto acontece porque possuem crenças desajustadas acerca de si e das suas competências. Nestas circunstâncias, o seu desempenho acaba por ser comprometido e por confirmar a crença inicial de que não são capazes.

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O que fazemos quando nos sentimos em perigo? Existem várias opções. Podemos fugir/evitar, bloquear ou enfrentar. Imaginem alguém com medo de cães, se vir um cão no fundo de uma rua, o que faz? Pode começar a correr ou desviar-se para outro caminho (fugir), pode congelar e não conseguir pensar em nenhuma situação (bloquear), ou então pode enfrentar a situação seguindo em frente. Quando falamos de alguém que tem uma perceção negativa das suas competências, pode nesse momento sentir-se sem recursos para enfrentar. Este padrão de comportamentos acaba, assim, por reforçar a crença de que não são bons o suficiente, nunca serão…

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“Serei sempre um fracasso”

“Não vale a pena tentar”

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É essencial para um indivíduo criar vínculos seguros. Ser aceite tal como é promove a coragem de arriscar, errar, aprender e sobretudo CRESCER SAUDÁVEL.

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Então, como pai ou mãe, como posso ajudar o meu filho?

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Vamos encorajar as nossas crianças a experimentar coisas novas, vamos valorizar a sua opinião, vamos partilhar as nossas dúvidas e receios diários, vamos respeitar e acolher as suas dores, vamos elogiar as suas conquistas e esforços, vamos investir no tempo com elas, vamos aceitar que são apenas crianças e que precisam de um porto seguro. Isso bastará!

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