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Mensagem de blogue por NeuroGime Academy

A Parentalidade na Sombra da Violência - É possível Quebrar o Ciclo!

A Parentalidade na Sombra da Violência - É possível Quebrar o Ciclo!


O exercício de uma parentalidade positiva assenta em práticas educativas, com estrutura e limites bem delineados, baseadas no cuidado, no respeito e na promoção da segurança física e emocional da criança. A adoção de comportamentos violentos coloca a relação parental na sombra da violência, comprometendo o vínculo e o desenvolvimento saudável. Reconhecer este impacto é o primeiro passo para a mudança. O apoio psicológico permite desenvolver uma parentalidade mais consciente, segura e saudável, protegendo o bem-estar das crianças e construindo relações familiares mais equilibradas.

As Bases do Desenvolvimento Começam na Família

A infância é um período determinante no desenvolvimento humano em que se constroem as “fundações” para o funcionamento psicológico ao longo da vida. As experiências, as relações e os contextos desempenham um papel fundamental na formação das competências motoras, cognitivas, emocionais e sociais da criança, contribuindo para a pessoa adulta em que ela se tornará. 


O contexto familiar desempenha um papel central na promoção do desenvolvimento saudável na infância, pois é neste que a criança tem os seus primeiros contactos com o mundo, estabelece vínculos afetivos e constrói as bases da sua identidade. Um ambiente familiar marcado pelo afeto, segurança, estrutura e estabilidade contribui para a formação de vínculos seguros, essenciais para o desenvolvimento da autoestima, da confiança e da capacidade de estabelecer relações saudáveis no futuro.

A Violência deixa SEMPRE Marcas 

A violência no seio familiar constitui uma ameaça significativa ao crescimento saudável das crianças, dado que a exposição contínua a ambientes marcados por tensão, conflitos e instabilidade compromete a segurança física e emocional, impactando várias dimensões do desenvolvimento. 


A violência, quer tenha a criança como alvo ou a exponha à mesma, pode gerar consequências ao nível físico, psicológico, emocional e comportamental. Sabe-se que as crianças que crescem em ambientes violentos tendem a revelar maior dificuldade de ajustamento nos seus diversos contextos, apresentando maior probabilidade de manifestar dificuldades na aprendizagem, comprometimento das competências sociais e de desenvolver problemas de saúde mental na adolescência e na idade adulta, tais como depressão, ansiedade, comportamentos de risco e dificuldades em estabelecer relações afetivas saudáveis.


Dado que a família é um contexto privilegiado de aprendizagem para a criança, perante a exposição à violência, esta tenderá a internalizar padrões de controlo e agressividade, normalizando os comportamentos abusivos e legitimando o seu uso. Desta forma, a criança poderá legitimar o uso de violência de si contra os outros, utilizando-a contra terceiros como estratégia de resolução de conflitos, ou dos outros contra si própria. Assim, perpetua-se o Ciclo Transgeracional da Violência, passando a mesma de geração em geração. 

A Parentalidade na Sombra da Agressão

A existência de violência no agregado familiar impacta a criança, mesmo que os comportamentos abusivos não sejam direcionados à mesma. A exposição à violência que ocorre entre os restantes membros do agregado familiar gera um clima de tensão, ameaça e insegurança que tende a afetar o bem-estar emocional da criança e as relações familiares estabelecidas. 


A prática de comportamentos violentos pode influenciar, de diferentes formas o exercício da parentalidade, comprometendo a qualidade da relação parental. O comportamento violento tende a não se restringir à relação conjugal, refletindo-se também nas práticas educativas, nos modelos relacionais e no clima emocional do contexto familiar. Quem exerce violência tende a apresentar dificuldades na regulação emocional, um comportamento mais impulsivo e uma baixa tolerância à frustração, o que poderá limitar a capacidade de responder adequadamente às necessidades emocionais da criança.


A imprevisibilidade, o medo, a perceção de indisponibilidade emocional e a ambivalência sentida pela criança para com a figura cuidadora pode comprometer o estabelecimento de um vínculo seguro. 


As crianças necessitam de adultos que transmitam segurança, previsibilidade e cuidado, o que dificilmente será possível ser assegurado por alguém que simultaneamente exerça violência no contexto familiar. Desta forma, o exercício de uma parentalidade positiva e saudável e a prática de comportamentos abusivos são incompatíveis. 

O Caminho para a Parentalidade Saudável

A consciência do impacto da violência no desenvolvimento da criança e na qualidade da relação estabelecida com a mesma devem motivar uma postura de assunção de responsabilidade pelo comportamento e a procura da alteração do mesmo. 


A intervenção psicológica especializada possibilita a modificação de padrões disfuncionais de pensamento e comportamento, promovendo o desenvolvimento de competências de regulação emocional e de controlo de impulsos, assim como a aquisição de estratégias de comunicação não abusivas.


O contexto terapêutico oferece um espaço estruturado e seguro onde a pessoa pode compreender a origem dos seus comportamentos, reconhecer o impacto real das suas ações e desenvolver competências para a promoção de relações não abusivas.


Através do acompanhamento psicológico, torna-se possível aprender formas mais adequadas de exercer a parentalidade, baseadas no respeito, na comunicação e na consistência, promovendo relações parentais mais saudáveis.


Além disso, a intervenção psicológica permite à pessoa desenvolver competências fundamentais para uma parentalidade positiva, como a empatia, a escuta ativa e a capacidade de identificar e responder, de forma ajustada, às necessidades emocionais das crianças. Ao fortalecer estas competências, a pessoa aumenta a probabilidade de estabelecer vínculos mais seguros e de participar de forma mais construtiva na vida dos/as filhos/as. A intervenção fornece ferramentas concretas para lidar com emoções intensas, resolver conflitos sem recurso à violência e reconstruir a relação parental de forma mais equilibrada e protetora.


A intervenção psicológica neste domínio é uma oportunidade de transformação parental, dado que ao procurar ajuda, a pessoa dá um passo fundamental para proteger o desenvolvimento dos/as filhos/as, promover uma parentalidade mais positiva e contribuir para a construção de um ambiente familiar mais seguro, estável e emocionalmente saudável.


É importante enfatizar que as crianças aprendem especialmente através do exemplo. Assim, ao procurar ajuda, a pessoa transmite uma mensagem de que é possível reconhecer erros, assumir responsabilidade e mudar comportamentos. A figura parental torna-se também um modelo mais positivo, contribuindo para quebrar o ciclo.

Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim um ato de responsabilidade e de compromisso com o bem-estar dos/as filhos/as e com a própria mudança pessoal!


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